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A nova cara do velho

Esse é o titulo de uma fan Page no Facebook que já tem mais de 50 mil likes e em princípio foi feita para mudar a convenção para identificar os idosos no Brasil (um velhinho corcunda com uma bengala). Nada mais inapropiado e ofensivo. Aliás a palavra idoso também, bem como terceira idade, como se não houvesse uma quarta, quinta idade. São sinais de uma mudança profunda na sociedade.

Eu tenho mais de 60 anos e há 10 anos trabalho com este público em um projeto do Itaú que tem como tema “viver ,reviver e conviver”. Em cima desse tripé desenvolvemos gratuitamente atividades físicas, trabalhos manuais, Yoga, bailes e até aulas de inglês. Mais de 90% do nosso público são mulheres (sempre elas se antecipando ao futuro). Ao longo desse tempo tenho adquirido uma experiência grande de como pensam os meus pares. Já vi passar por lá pessoas doentes, deprimidas, com baixa auto-estima e que graças a esta socialização mudaram radicalmente seu comportamento.

Tenho acompanhado esse movimento em outros países cuja população de velhos é ainda maior do que no Brasil (em 2020 os brasileiros com mais de 60 anos irão representar quase 20% da população). Um dos exemplos mais gritantes é nos EUA, onde a renda dos sessentões representa quase 50% do consumo no país. Produtos de beleza ,roupas, produtos culturais e medicamentos são os preferidos. Não é por acaso que o MIT, através o Medialab, está lançando uma série de estudos para abastecer as empresas, a mídia e as agências de propaganda com esses dados. É notável como nos comerciais e na produção de conteúdo midiático já se nota a presença cada vez maior dos velhos. Ou pelo menos acabou aquele predomínio dos jovens no mercado.

Isso tudo nos leva a uma reflexão sobre o futuro, do ponto de vista social e mercadológico. De agora em diante, os velhos passam a ter um peso exponencial na sociedade, sob o ponto de vista de comportamento e comercial. Eles irão ditar novas formas de vida, influenciar suas famílias e criar novos produtos adaptados aos seus desejos. Só que eu não vejo políticas públicas adequadas a estas mudanças nem empresas preparadas para atender esses novos consumidores.

Existe um grande caminho a ser percorrido e estudado. Se conseguirmos mudar o ícone que representa os velhos no Brasil, ótimo. Mas é muito pouco para tanta mobilização.