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MAD MAN

Hoje, dia 7 de abril, começa a nova temporada de Mad Man nos EUA com previsão de estréia no Brasil dia 22 na HBO.

A série para quem não sabe mostra com detalhes (alguns amorais) o dia a dia de uma agência de propaganda dos anos 60 na Madison Ave. Em Nova Iorque, onde se concentravam a maiores e melhores agências americanas da época. O personagem principal, Don Drapper é um publicitário talentoso de passado obscuro e métodos nem sempre éticos. Aliás a ética nem sempre era importante nessa profissão. O que valia era conquistar clientes e ganhar dinheiro.

A reconstituição de época é perfeita nos cenários, roupas e no comportamento nada saudável se comparado aos dias de hoje. Bebida e cigarros são presenças constantes na série desde as primeiras horas do dia. Na metade dos anos 70, graças a um acordo operacional da minha agência com a Norton Publicidade, passei 6 meses morando em São Paulo como Diretor de Criação da agência do Geraldo Alonso (então entre as 5 maiores do país).

Geraldão como era carinhosamente chamado era uma figura folclórica e controversa da publicidade brasileira. Mas graças a ele passei 2 meses trabalhando no grupo Havas Conseil em Paris. Ele gostava de mim.

Na Norton a rotina diária era a reunião dos sócios que começava invariávelmente às 11 horas com o garçom da agência trazendo uísque, gim, vodca e salgadinhos que eram consumidos com vários cigarros até as 13 horas. Era a hora do almoço no restaurante da agência sempre com a presença de um convidado que podia ser um cliente, prospect ou político.

Geraldão era um grande contador de casos. Dois que eu me lembro agora: Geraldão encontra com o Macedo da MPM no aeroporto e o Macedo cobra dele:

- “Eu soube que tu me chamastes de filho da puta” ao que Geraldão retruca:

- “Não é verdade, eu disse que tu eras o maior filho da puta que eu conheço”.

Geraldão tinha muitos amigos na política. Entre eles o governador de São Paulo, o não menos folclórico Ademar de Barros. Pois o Ademar com a esposa consegue ser recebido na Casa Branca pelo presidente Kennedy. Para conseguir um empréstimo grande para São Paulo, através da Aliança para o Progresso, Ademar leva um colar de esmeraldas para Jaqueline Kennedy que fica encantada com a jóia. Mas o presidente americano chama seu secretário particular e pede que o presente seja encaminhado ao Tesouro Americano. Ademar saiu de lá com as mãos abanando.

Mad Man é um espelho da ação dos publicitários dos anos 60 e 70, onde o importante era conseguir grandes contas e muito dinheiro, não importando os meios.Mais ou menos o que acontece na política nos dias atuais.

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Por Laerte Martins
7 de abril de 2013