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Sustentabilidade no lugar da religião

Hoje não existe manual de administração, vendas e marketing que não repita à exaustão essas duas palavras cabalísticas. No mesmo rumo seguem as revistas e jornais e os famosos palestrantes do momento. Mas afinal, o que há de tão valioso ou estranho ou novo nestas duas palavras (e lá vou eu repeti-las): inovação e sustentabilidade?

Primeiro, elas não são novas. Atravessaram os tempos significando sempre a mesma coisa: sobrevivência. Pensem comigo, sem inovação o homem não teria dominado o fogo nem o tacape. Sem sustentabilidade, os rios e as matas ficariam sem peixes e caça e todos morreriam de fome. Portanto, estamos falando de um conceito tão antigo quanto o homem das cavernas. Mas por que hoje inovação e sustentabilidade assumem um papel tão emblemático na nossa sociedade e especialmente nas empresas?

A resposta está na própria cultura das empresas e corporações, especialmente depois do advento da Internet e da comunicação rápida e universal. Voltamos ao velho e revolucionário conceito de que esta terra é nossa, é de todos e de que nenhuma corporação, por maior e mais influente que seja, tem o direito de abusar dela. E assim, hoje, em todas elas existe um departamento ou pessoa encarregados de pensar e falar sobre inovação e sustentabilidade.

Mas será que empresas e corporações estão realmente conseguindo traduzir bem o conceito de inovação e sustentabilidade, para aplicá-los no seu manual de sobrevivência? A resposta é: quase sempre não. Há uma confusão estranha entre sustentabilidade e crédito de carbonos, a forma mais preguiçosa de exercê-la. E inovação é apenas mais um departamento de jovens conhecedores de informática que pensam que inovar é entrar na onda da Internet. Vamos explicar melhor. Começamos com inovação.

Inovar, como a origem da palavra nos diz, é criar o novo. Mas o que estamos fazendo é apenas colocando apêndices ou novas formas no que já foi novo um dia. Como a Coca-cola, por exemplo, que se mantém nova há mais de um século e era apenas um xarope para dor de estomago. Ou o Rock n Roll, que está quase completando um século. Ou o movimento hippie, que foi o precursor do movimento conservacionista.

Esquecemos completamente da palavra mágica que ajuda a criar o novo: Criatividade. Ela sempre foi o caminho para o novo e as pessoas criativas são raras, difíceis de encontrar e difíceis de tratar (remember Steve Jobs). Mas, além disso, será preciso reconhecer quando algo novo foi realmente criado, o que em alguns casos leva anos para acontecer. O que é fatal para algumas organizações, não tem um minuto a perder. Criatividade já! Chame Harvard, a USP, a UFRGS e acrescente uma pitada de ad man mais conhecido como publicitário ou como os chamavam na Madison Ave.: Mad Man.

Sustentabilidade tem várias formas. Trata-se da sobrevivência do planeta. É a nossa responsabilidade ambiental e social. É o que vai continuar a dar lucro no futuro ao invés de matarmos a galinha dos ovos de ouro. Começamos com um tímido “save the whales”, salvem o mico leão dourado, salvem os cachorros abandonados, até que as pessoas se dêem conta de que é preciso salvar também os seres humanos. Por isso, a elite não perdoa o Lula. Como se atreve um metalúrgico que nunca fez nem a faculdade inovar tirando milhares de brasileiros da linha da pobreza? E para completar, temos esse negro com nome muçulmano que dirige a maior potência mundo, e está fazendo a maior reforma da saúde na historia dos EUA.

Isso pode soar um pouco cínico. Mas, em matéria de conservacionismo, sempre fomos cínicos. Desde que não destruamos ou poluamos aquilo que nos dá lucro. Na verdade, sustentabilidade é entendermos o direito das pessoas que estão sem acesso à economia de virem a fazer parte dela sem destruir o planeta. Sustentabilidade deveria tomar o lugar da religião. Porque é ela que protege o ser humano da degradação e da destruição, enquanto a religião nos ameaça com o fim do mundo.

Por isso um conselho: não basta apenas um departamento para cuidar de toda essa riqueza. Isso é responsabilidade dos presidentes das nações e das corporações.

- “Inovação e sustentabilidade”!

Muitos enganos estão sendo cometidos em Vosso Nome. Mas não se engane, sem o entendimento real destas duas palavras, veremos muitas organizações envelhecerem rapidamente em direção à obsolescência.

Se você não for banqueiro ou um capitão da indústria bélica, você tem muito ainda que aprender!

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Laerte Martins
09/12/2009
www.coletiva.net